Postectomia, Vasectomia, Varicocele e HPV

Procedimentos Urológicos

Conheça os procedimentos urológicos mais frequentes: o que são, como são realizados, a recuperação esperada e os sinais de alerta.

Postectomia (Circuncisão)

30-45 minutos Local com sedação (mais comum em adultos), raquianestesia ou geral

A postectomia (circuncisão) é a remoção cirúrgica do prepúcio — a pele que recobre a glande (cabeça do pênis). É um dos procedimentos cirúrgicos mais antigos e realizados no mundo, com indicações médicas bem estabelecidas. Pode ser realizada em qualquer idade, sendo mais frequente em adultos por indicações como fimose, parafimose, balanopostites de repetição e prevenção de infecções.

Indicações

Fimose — impossibilidade de retrair completamente o prepúcio
Parafimose — prepúcio retraído que não retorna à posição normal (urgência)
Balanopostite de repetição — infecções recorrentes da glande e prepúcio
Líquen escleroso (balanite xerótica obliterante)
Prevenção de ISTs — reduz risco de HIV em 50-60%, HPV e herpes
Prevenção de câncer de pênis
Preferência pessoal / higiene

Como é realizado

Sob anestesia, o prepúcio é marcado, excisado com bisturi ou dispositivo específico, e os vasos são cauterizados. A pele é suturada com pontos absorvíveis (que caem sozinhos em 2-4 semanas). Pode ser realizada com técnica convencional (bisturi), com grampeador (stapler) ou com dispositivo de compressão. O procedimento dura 30-45 minutos.

Vantagens

Procedimento ambulatorial — alta no mesmo dia
Resolve definitivamente a fimose
Reduz risco de infecções urinárias e ISTs
Facilita a higiene
Reduz risco de câncer de pênis

Riscos

Sangramento pós-operatório (2-5%)
Infecção da ferida (1-3%)
Resultado estético insatisfatório (raro)
Estenose do meato uretral (raro)

Recuperação

Trabalho

3-5 dias para trabalho de escritório; 7-10 dias para trabalho físico

Exercícios

2-3 semanas sem exercícios intensos

Atividade sexual

30-40 dias de abstinência sexual

Cuidados especiais

Curativos diários com pomada antibiótica por 7-10 dias. Usar cueca justa para suporte.

Sintomas Esperados (Normais)

Edema (inchaço) da glande e região da sutura — normal por 1-2 semanas
Equimose (roxo) — normal por 1-2 semanas
Sensibilidade aumentada da glande — normal, melhora em 2-4 semanas
Desconforto leve — controlado com analgésicos comuns
Pontos caindo gradualmente em 2-4 semanas

Sinais de Alerta — Procure o Médico

Sangramento ativo que não para com compressão por 20 minutos
Febre >38°C
Secreção purulenta (pus) com odor fétido
Dor intensa e progressiva não controlada com analgésicos
Inchaço excessivo e progressivo com mudança de cor (arroxeado intenso)

Vasectomia

15-30 minutos Local (mais comum) — injeção de anestésico na bolsa escrotal

A vasectomia é um método contraceptivo cirúrgico masculino permanente que consiste na secção e oclusão dos ductos deferentes — os canais que transportam os espermatozoides dos testículos até a uretra. É o método contraceptivo mais eficaz disponível (taxa de falha <0,1%), mais seguro e menos invasivo que a laqueadura tubária feminina. Não altera a produção de hormônios (testosterona), a libido, a ereção ou o volume do ejaculado (os espermatozoides representam apenas 2-5% do volume seminal).

Indicações

Homens com prole constituída que desejam contracepção definitiva
Casais que optam por contracepção permanente masculina
Contraindicação a outros métodos contraceptivos na parceira
Requisito legal no Brasil: >25 anos OU ≥2 filhos vivos (Lei 14.443/2022)

Como é realizado

Através de uma pequena incisão (1-2cm) na bolsa escrotal (ou técnica 'no-scalpel' com punção), os ductos deferentes são identificados, seccionados e suas extremidades são cauterizadas e/ou ligadas. A técnica 'no-scalpel' (sem bisturi) utiliza uma pinça especial para acessar o deferente por uma pequena punção, reduzindo sangramento e complicações. O procedimento dura 15-30 minutos.

Vantagens

Método contraceptivo mais eficaz (<0,1% de falha)
Procedimento ambulatorial rápido (15-30 min)
Anestesia local — sem necessidade de anestesia geral
Não altera hormônios, libido ou ereção
Mais seguro e menos invasivo que a laqueadura feminina
Recuperação rápida

Riscos

Hematoma escrotal (1-2%)
Infecção (1-2%)
Dor crônica escrotal — síndrome pós-vasectomia (1-2%)
Granuloma espermático (raro)
Falha (recanalização espontânea): 0,03-0,05%

Recuperação

Trabalho

2-3 dias para trabalho de escritório; 5-7 dias para trabalho físico

Exercícios

1-2 semanas sem exercícios intensos; evitar esforço abdominal

Atividade sexual

7-10 dias de abstinência. USAR OUTRO MÉTODO até espermograma de controle negativo (3 meses)

Cuidados especiais

Gelo local nas primeiras 48h. Cueca justa (sunga) por 7 dias. Espermograma de controle em 3 meses (ou após 20 ejaculações) — ESSENCIAL.

Sintomas Esperados (Normais)

Dor leve a moderada na bolsa escrotal — 2-5 dias
Edema e equimose (inchaço e roxo) — 1-2 semanas
Desconforto ao caminhar nos primeiros dias
Pequeno nódulo palpável no local da cirurgia — normal

Sinais de Alerta — Procure o Médico

Aumento progressivo do inchaço da bolsa escrotal (hematoma)
Febre >38°C
Secreção purulenta no local da incisão
Dor intensa e progressiva após 48h
Sangramento ativo pela incisão

Varicocele

45-90 minutos (microcirúrgica); 30-60 minutos (embolização) Raquianestesia ou geral (microcirúrgica); local + sedação (embolização)

A varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme — as veias que drenam o sangue dos testículos. É semelhante a varizes nas pernas, mas ocorre na bolsa escrotal. Afeta 15-20% dos homens na população geral e até 35-40% dos homens inférteis. É a causa tratável mais comum de infertilidade masculina. Predomina no lado esquerdo (80-90%) devido à anatomia da veia gonadal esquerda, que drena em ângulo reto na veia renal.

Indicações

Varicocele clínica (palpável) + infertilidade + espermograma alterado
Varicocele clínica + dor/desconforto escrotal
Varicocele em adolescente com assimetria testicular (>20% de diferença)
Varicocele clínica + hipogonadismo (testosterona baixa)

Como é realizado

O tratamento cirúrgico consiste na ligadura (amarração) das veias dilatadas, preservando a artéria testicular e os vasos linfáticos. A técnica microcirúrgica subinguinal (com microscópio) é o padrão-ouro — oferece menor taxa de recorrência (<1%) e menor risco de hidrocele. Alternativas: técnica laparoscópica e embolização percutânea (radiologia intervencionista). O procedimento dura 45-90 minutos.

Vantagens

Melhora dos parâmetros seminais em 60-80% dos casos
Aumento da testosterona em 100-140 ng/dL (média)
Técnica microcirúrgica: recorrência <1%
Melhora da dor escrotal em >80% dos casos
Pode permitir concepção natural evitando FIV/ICSI

Riscos

Hidrocele (acúmulo de líquido): 0,5-1% (microcirúrgica) vs 5-10% (outras)
Recorrência: <1% (microcirúrgica) vs 5-15% (outras técnicas)
Atrofia testicular (<0,5% — muito raro com preservação arterial)
Infecção da ferida (1-2%)

Recuperação

Trabalho

3-5 dias para trabalho de escritório; 7-14 dias para trabalho físico

Exercícios

2-3 semanas sem exercícios intensos; 4 semanas para musculação pesada

Atividade sexual

7-14 dias de abstinência

Cuidados especiais

Gelo local nas primeiras 48h. Cueca justa por 2 semanas. Espermograma de controle em 3-6 meses. Melhora dos parâmetros seminais em 60-80% dos casos.

Sintomas Esperados (Normais)

Dor leve na região inguinal — 3-7 dias
Edema e equimose na bolsa escrotal — 1-2 semanas
Sensação de 'peso' na bolsa escrotal nos primeiros dias
Desconforto ao caminhar — melhora progressiva

Sinais de Alerta — Procure o Médico

Aumento progressivo do volume escrotal (hidrocele ou hematoma)
Febre >38°C
Dor intensa e progressiva no testículo
Secreção purulenta na incisão
Atrofia testicular (redução do tamanho) — raro, procurar médico

HPV — Prevenção e Tratamento

15-30 minutos (cauterização); semanas (tratamento tópico) Local (cauterização); sem anestesia (tratamento tópico)

O HPV (Papilomavírus Humano) é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo — estima-se que 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida. Existem mais de 200 subtipos, sendo os tipos 6 e 11 responsáveis por 90% das verrugas genitais (condilomas), e os tipos 16 e 18 responsáveis por 70% dos cânceres associados ao HPV (colo uterino, pênis, ânus, orofaringe). No homem, o HPV pode causar verrugas genitais, câncer de pênis e câncer anal.

Indicações

Verrugas genitais (condilomas acuminados) — tratamento das lesões
Lesões subclínicas detectadas por peniscopia
Prevenção: vacinação (HPV quadrivalente ou nonavalente)
Parceira com HPV ou NIC — investigação do parceiro masculino

Como é realizado

O tratamento das lesões por HPV pode ser: (1) Destrutivo: cauterização elétrica, crioterapia, laser CO2 ou excisão cirúrgica — remove as lesões visíveis. (2) Tópico: imiquimode 5% (imunomodulador), podofilotoxina ou ácido tricloroacético — aplicação pelo paciente ou médico. (3) Combinado: destruição das lesões + imunomodulador para reduzir recorrência. A peniscopia (exame com lente de aumento + ácido acético) é fundamental para detectar lesões subclínicas não visíveis a olho nu.

Vantagens

Tratamento ambulatorial — sem internação
Múltiplas opções terapêuticas adaptáveis ao caso
Vacinação previne 90% das verrugas e 70-90% dos cânceres por HPV
Peniscopia permite detecção precoce de lesões subclínicas

Riscos

Recorrência das lesões (30-40%) — o vírus pode permanecer latente
Cicatriz ou alteração de pigmentação no local tratado
Reação inflamatória intensa com imiquimode (raro)
Progressão para lesões pré-malignas se não tratado (raro em imunocompetentes)

Recuperação

Trabalho

1-2 dias (cauterização); sem afastamento (tópico)

Exercícios

3-5 dias sem exercícios intensos após cauterização

Atividade sexual

Abstinência até cicatrização completa (2-4 semanas). Uso de preservativo sempre.

Cuidados especiais

Seguimento com peniscopia a cada 3-6 meses por 2 anos. Vacinação do paciente e parceira se não vacinados.

Sintomas Esperados (Normais)

Dor/ardência local após cauterização — 3-7 dias
Formação de crosta no local tratado — cai em 1-2 semanas
Irritação e vermelhidão com imiquimode — esperado (sinal de resposta imune)
Possível recorrência das lesões (30-40%) — necessidade de seguimento

Sinais de Alerta — Procure o Médico

Sangramento ativo que não para com compressão
Febre >38°C
Secreção purulenta no local tratado
Lesões que crescem rapidamente ou mudam de aspecto
Dor intensa desproporcional ao procedimento

Vacinação contra HPV — A Melhor Prevenção

A vacina nonavalente (Gardasil 9) protege contra 9 subtipos do HPV (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58), prevenindo até 90% das verrugas genitais e 90% dos cânceres associados ao HPV.

Quem deve se vacinar: Meninos e meninas a partir de 9 anos (ideal: antes do início da vida sexual). O SUS oferece gratuitamente para meninos de 11-14 anos. Adultos até 45 anos podem se vacinar na rede privada. Mesmo quem já teve HPV se beneficia da vacinação (proteção contra subtipos ainda não adquiridos).

Esquema: 2 doses (9-14 anos) ou 3 doses (≥15 anos ou imunossuprimidos).

Referências

  1. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health. European Association of Urology, 2025.
  2. AUA Guideline: Vasectomy. American Urological Association, 2024.
  3. Partin AW, et al. Campbell-Walsh-Wein Urology, 13th Edition. Elsevier, 2024.
  4. Shridharani A, et al. Varicocelectomy: Microsurgical approach. Urol Clin North Am. 2014;41(1):129-44.
  5. Giuliano AR, et al. Efficacy of quadrivalent HPV vaccine against HPV infection and disease in males. N Engl J Med. 2011;364(5):401-11.
  6. Morris BJ, et al. A 'snip' in time: what is the best age to circumcise? BMC Pediatr. 2012;12:20.
  7. Eisenberg ML, et al. The relationship between male BMI and waist circumference on semen quality. Hum Reprod. 2014;29(2):193-200.
  8. Lei 14.443/2022 — Altera a Lei do Planejamento Familiar (vasectomia e laqueadura). Brasil, 2022.

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