Pedra no Rim: O Que Fazer Quando a Cólica Renal Aparece
Cálculos Renais

Pedra no Rim: O Que Fazer Quando a Cólica Renal Aparece

Dr. Felipe de Bulhões

Dr. Felipe de Bulhões

CRM-SP 202291 | Urologista | TCBC

29 de Março de 20267 min de leitura

O que são cálculos renais?

Os cálculos renais — popularmente conhecidos como "pedras nos rins" — são formações sólidas compostas por cristais minerais que se acumulam nos rins ou nas vias urinárias. Afetam aproximadamente 10-12% da população mundial, com prevalência crescente nas últimas décadas devido a mudanças nos hábitos alimentares e estilo de vida sedentário.

No Brasil, estima-se que 1 em cada 10 pessoas desenvolverá cálculos renais ao longo da vida, com maior incidência em homens (proporção de 2:1) e pico entre 20 e 50 anos de idade.


Sintomas: como reconhecer a cólica renal

A cólica renal é considerada uma das dores mais intensas da medicina. Os sintomas clássicos incluem:

  • Dor lombar intensa — geralmente unilateral, em cólica (vai e volta), que pode irradiar para a virilha, testículo ou lábios vaginais
  • Náuseas e vômitos — reflexo da dor intensa
  • Sangue na urina (hematúria) — presente em 80-90% dos casos
  • Urgência e frequência urinária — quando o cálculo está próximo à bexiga
  • Febre — sinal de alerta que pode indicar infecção associada (emergência!)

Quando ir ao pronto-socorro?

Procure atendimento de emergência se apresentar:

  • Dor insuportável que não melhora com analgésicos
  • Febre acima de 38°C associada à dor lombar (pode indicar pielonefrite obstrutiva — emergência urológica)
  • Impossibilidade de urinar
  • Vômitos persistentes com desidratação

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por:

  1. Tomografia computadorizada sem contraste — padrão-ouro, identifica 98% dos cálculos, determina tamanho, localização e presença de obstrução
  2. Ultrassonografia — alternativa sem radiação, ideal para gestantes e acompanhamento
  3. Exames de sangue e urina — avaliam função renal e presença de infecção

Tratamentos modernos

Tratamento conservador (cálculos pequenos)

Para cálculos menores que 6-7mm, sem complicações:

  • Hidratação abundante
  • Analgesia (anti-inflamatórios, dipirona, opioides se necessário)
  • Terapia médica expulsiva (tansulosina) — facilita a eliminação espontânea
  • Taxa de eliminação espontânea: 70-80% para cálculos < 5mm

Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO)

  • Ondas de choque fragmentam o cálculo de fora para dentro
  • Procedimento ambulatorial, sem incisões
  • Indicação: cálculos renais de 5-20mm
  • Limitações: menos eficaz para cálculos duros (oxalato de cálcio monohidratado) ou em pacientes obesos

Ureterorrenolitotripsia Flexível a Laser (URSS)

  • Endoscópio flexível introduzido pela uretra até o rim
  • Laser Holmium ou Thulium fragmenta o cálculo em pó ("dusting") ou fragmentos
  • Sem cortes, sem cicatrizes
  • Indicação: cálculos de até 20mm em qualquer localização
  • Alta hospitalar em 24 horas na maioria dos casos

Nefrolitotripsia Percutânea (PCNL)

  • Acesso direto ao rim por uma pequena incisão nas costas (1cm)
  • Indicação: cálculos grandes (> 20mm) ou coraliformes
  • Versões modernas: mini-PCNL e micro-PCNL com instrumentos menores

O cateter duplo J: por que é necessário?

Após muitos procedimentos endoscópicos, é colocado um cateter duplo J (stent ureteral) — um tubo fino e flexível que mantém o ureter aberto, garantindo a drenagem da urina do rim para a bexiga.

Por que é colocado?

  • Prevenir obstrução por edema (inchaço) pós-operatório
  • Facilitar a passagem de fragmentos residuais
  • Garantir drenagem em caso de lesão ureteral

Sintomas comuns com o duplo J:

  • Desconforto na região lombar ao urinar
  • Urgência e frequência urinária aumentadas
  • Sangue na urina (especialmente após esforço físico)

Importante: O duplo J é temporário — geralmente retirado em 1-4 semanas por cistoscopia ambulatorial (procedimento rápido de 2-3 minutos).


Prevenção: como evitar novos cálculos

A taxa de recorrência é de 50% em 5-10 anos sem medidas preventivas. A prevenção é fundamental:

  1. Hidratação — mínimo de 2,5 litros de água por dia (objetivo: urina clara)
  2. Redução do sódio — máximo 2g/dia (evitar alimentos ultraprocessados)
  3. Proteína animal moderada — não exceder 0,8-1g/kg/dia
  4. Cálcio na dieta — NÃO restringir cálcio alimentar (paradoxalmente, dietas pobres em cálcio aumentam o risco)
  5. Citrato — suco de limão/laranja natural aumenta o citrato urinário (protetor)
  6. Estudo metabólico — exames de urina de 24h para identificar fatores de risco específicos

Referência: EAU Guidelines on Urolithiasis (2025) recomendam estudo metabólico para todos os pacientes com cálculos recorrentes ou de alto risco.


Referências

  1. EAU Guidelines on Urolithiasis — European Association of Urology, 2025.
  2. AUA/Endourological Society Guideline on Surgical Management of Stones, 2024.
  3. Campbell-Walsh-Wein Urology, 13th Edition — Chapters 52-55: Urinary Lithiasis.
  4. Türk C, et al. EAU Guidelines on Interventional Treatment for Urolithiasis. Eur Urol. 2025.

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